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	<title>Plano SP2040</title>
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	<description>São Paulo 2040 — A Cidade que Queremos</description>
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		<title>Guto Lacaz</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 17:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Depoimentos]]></category>
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		<description><![CDATA[“Querida São Paulo, canalizaram seus sinuosos rios e adotaram para ti os piores modelos, o mais perverso deles, privilegiar o automóvel em relação ao transporte coletivo. Inferno irreversível. Com tantas faculdades de design, não temos lixeira, um banco ou ponto de ônibus a contento. As praças e os (secos) chafarizes estão cercados. A população murou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/Guto-Lacaz.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2036" title="Guto Lacaz" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/Guto-Lacaz-285x285.jpg" alt="" width="285" height="285" /></a>“Querida São Paulo, canalizaram seus sinuosos rios e adotaram para ti os piores modelos, o mais perverso deles, privilegiar o automóvel em relação ao transporte coletivo. Inferno irreversível.<br />
Com tantas faculdades de design, não temos lixeira, um banco ou ponto de ônibus a contento. As praças e os (secos) chafarizes estão cercados. A população murou suas casas com cercas eletrificadas, enquanto os jardins das residências se transformaram em asfalto, estacionamento. Os detalhes se perderam, a cidade se brutalizou.<br />
Ainda restam encantos, como o Mercado Central, as ruas Florêncio de Abreu e Santa Ifigênia, o Mosteiro de São Bento, o Parque Ibirapuera, a Pinacoteca, o MASP, alguns bares e restaurantes e um ou outro cinema de bairro.<br />
A vida cultural ameniza a tragédia.<br />
Aqui, ainda é possível apresentar meu trabalho, na forma de exposições, performances ou intervenções urbanas. Aqui estão minha família, meus pares, meu mercado e meu público.<br />
Aqui viverei mais 63 anos.”</p>
<p><em>Guto Lacaz</em><br />
<em>Arquiteto e artista plástico</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Regina Monteiro</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 17:17:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Depoimentos]]></category>
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		<description><![CDATA[Não conheci a Ilha dos Amores. Com a retificação do Tamanduateí, que, aliás, todos esquecem de chamá-lo de rio, a ilha foi engolida e a antiga conexão natural do centro com a zona leste foi eliminada, quando do aterro e da dita &#8220;urbanização&#8221; da várzea do Carmo. Foi um dos primeiros grandes erros da urbanização [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/02/Foto-2-Regina-Monteiro.jpg"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-1903" title="Foto 2 - Regina Monteiro" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/02/Foto-2-Regina-Monteiro-285x285.jpg" alt="" width="285" height="285" /></a><br />
Não conheci a Ilha dos Amores. Com a retificação do Tamanduateí, que, aliás, todos esquecem de chamá-lo de rio, a ilha foi engolida e a antiga conexão natural do centro com a zona leste foi eliminada, quando do aterro e da dita &#8220;urbanização&#8221; da várzea do Carmo.</p>
<p><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/02/Ilha-dos-amores.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1904" title="Ilha dos amores" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/02/Ilha-dos-amores-285x279.jpg" alt="" width="285" height="279" /></a>Foi um dos primeiros grandes erros da urbanização de São Paulo. Quem não conhece a Ilha de St. Louis, no Rio Sena, no centro de Paris, se tiver a oportunidade pode conhecê-la, porque ela ainda esta lá. Graças a Deus, nenhum gênio urbanizador pensou num grande aterro para acabar com a ilha!</p>
<p>E assim, perdemos grandes eixos estruturais urbanos. Ganhamos outros, é certo, como as marginais dos Rios Pinheiros e Tietê e, dessa forma, já estávamos rumando para as sucessivas obras que iriam impermeabilizar a cidade.</p>
<p>E os piscinões naturais propostos por Saturnino de Brito no Rio Tietê e que nunca foram construídos? Talvez o rumo da história teria sido outro&#8230;</p>
<p>E o nosso bonde elétrico? Dá para acreditar que, em 1927, tínhamos 800 mil habitantes e 230 quilômetros de trilhos? O sistema ia do Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, até a Penha, permeando toda a cidade. É obvio que o sistema deveria ser modernizado, mas, se não tivéssemos aberto a mão dos trilhos em nome do progresso, já pensaram o que teríamos hoje?</p>
<p>Agora, o exemplo mais cruel: o MINHOCÃO. O elevado rasgou a São João, &#8220;necrosando&#8221; o espaço existente entre os prédios dos dois lados da avenida. Os proprietários dos apartamentos abaixo do elevado ficaram condenados à escuridão e os que estão acima ficaram à disposição do barulho e da poluição. É o maior &#8220;tumor&#8221; urbano que já conheci.</p>
<p>Tínhamos um grande projeto entre as nossas duas represas para a criação de um balneário. A praia de São Paulo. Mas, a falta de políticas públicas para habitação levou milhões de pessoas a morar praticamente dentro da nossa caixa d&#8217;água.</p>
<p>Então, a São Paulo que eu quero não perderá mais ilhas, trilhos e qualidade de vida. Se soubermos destruir e desfazer, saberemos construir e refazer.</p>
<p>E vou lutar muito por essa São Paulo, não vou deixar ficar só na esperança!”</p>
<p><em>Regina Monteiro</em><br />
<em>Arquiteta e urbanista</em></p>
<p>(Foto: Ilha dos Amores (Arquivo Pessoal))</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>José Goldemberg</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 13:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Depoimentos]]></category>
		<category><![CDATA[depoimento]]></category>

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		<description><![CDATA[“A cidade que mais desejo é uma cidade mais verde. O verde torna a cidade não apenas mais agradável, mas também é razão de maior permeabilidade do solo, ajudando a água a escoar, o que evita enchentes&#8230; Uma cidade mais verde tem, portanto, inúmeros benefícios, não é apenas o lazer que conta. Aliás, quem mora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2011/12/Foto-2-José-Goldemberg.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1574" title="Foto 2 - José Goldemberg" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2011/12/Foto-2-José-Goldemberg-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>“A cidade que mais desejo é uma cidade mais verde. O verde torna a cidade não apenas mais agradável, mas também é razão de maior permeabilidade do solo, ajudando a água a escoar, o que evita enchentes&#8230; Uma cidade mais verde tem, portanto, inúmeros benefícios, não é apenas o lazer que conta. Aliás, quem mora perto de um parque sabe bem disso, certo? E eu gostaria de ver esse privilégio ser estendido a todos os moradores de São Paulo – uma das metas do SP 2040 que me diz muito é exatamente essa, a de pleitear um espaço verde distante 15 minutos do lugar onde se mora. Outra questão que me chama a atenção em São Paulo é o transporte, um desafio enorme – e olhe que eu moro há 50 anos nesta cidade&#8230; Quem mora longe do trabalho, está muito angustiado com a situação e não poderia ser de outra forma&#8230; No meu prédio, sei de funcionários que gastam mais de duas horas só para vir do fim do mundo até próximo do Shopping Center Iguatemi, onde moro. O mesmo estresse acontece com os colegas de USP que vivem longe da Cidade Universitária – se pegar todo dia a Avenida Nove de Julho, por exemplo, está ferrado, em bom português! Mas&#8230; Acredito que temos chance de viver em uma cidade melhor. Na questão do transporte, por exemplo, o metrô, que vinha sendo construído a passo de caranguejo com a média de dois a três kms por ano, passou a ter a meta de 10 km. E investir na expansão das linhas do metrô é fundamental para resolver o problema do transporte em São Paulo.”</p>
<p><em>Professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo.<br />
Ex-Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo</em></p>
<p>(Foto: Arquivo)</p>
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		<title>O povo fala sobre o coração de São Paulo</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 17:25:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias2]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
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		<description><![CDATA[O que pode existir de mais magnético do que o centro de uma cidade? No caso de São Paulo, ele é sempre lembrado como o ponto de referência e de convergência, onde tudo acontece e se concentra, assim como remete a outro tempo – isso, quando o olhar identifica o patrimônio histórico preservado. Acontece que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que pode existir de mais magnético do que o centro de uma cidade? No caso de São Paulo, ele é sempre lembrado como o ponto de referência e de convergência, onde tudo acontece e se concentra, assim como remete a outro tempo – isso, quando o olhar identifica o patrimônio histórico preservado.</p>
<p>Acontece que o centro paulistano desperta sentimentos desencontrados, da desconfiança ao interesse, da atração à insegurança. Sinônimo de elegância em época não muito distante, hoje está longe de ser uma unanimidade entre os que transitam por suas ruas – quem nele mora, porém, não quer mudar para outro lugar de jeito algum.</p>
<p>Afinal, o que os moradores dizem sobre o coração da cidade?</p>
<p><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/Foto-4-O-povo-fala.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2087" title="Foto 4 - O povo fala" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/Foto-4-O-povo-fala-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>1. “O centro anda estranho&#8230; Tem gente demais, carro demais. É muito trânsito e isso só dá dor de cabeça&#8230; Eu vivo em Itapecerica da Serra, tenho casa com cachorro e passarinhos no quintal – só venho para o centro de São Paulo por obrigação! Pode anotar aí: não seria capaz de morar no centro nem de graça!” (Glauber Pena de Oliveira, confeiteiro, foto)</p>
<p>2. “Eu moro na estrada do Sacomã, na Zona Sul, e vou diariamente para o colégio que fica no bairro do Ipiranga, na Zona Sudoeste. Ando de metrô para cima e para baixo de São Paulo, mas o que eu gostaria mesmo era morar por aqui&#8230; No centro, tudo é perto, tudo parece integrado!” (Brenda Ferreira Cardoso, estudante)</p>
<p>3. “As pessoas hoje estão mais conscientes e preocupadas com a cidade&#8230; Sim, eu gostaria de morar no centro e não perto do Bresser, como vem me acontecendo&#8230; Aliás, a tendência mundial é morar perto do local de trabalho – e o meu escritório fica aqui, na São Luiz, uma das avenidas mais bonitas de São Paulo, com árvores e prédios dos anos 60 em perfeito estado&#8230; Sim, gosto desse tumulto da vida urbana que é típico do centro <a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/Foto-4.2-O-povo-fala.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2095" title="Foto 4.2 - O povo fala" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/Foto-4.2-O-povo-fala-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>da cidade.” (Rogério Uro Ramos, arquiteto)</p>
<p>4. “Moro há décadas na São Luiz e, a partir de uma determinada hora, tenho o hábito de andar só pela calçada do lado par&#8230; Questão de segurança, pode acreditar. Mesmo assim, mesmo sem o policiamento que esta região deveria dispor diariamente, eu adoro isto aqui! Aliás, só mudaria de endereço se fosse para um apartamento maior no mesmo edifício!” (Percila Camarinha, arquiteta, foto)</p>
<p>5. “O centro de São Paulo, eu o atravesso a pé várias vezes por dia por causa da minha atividade, e faço questão de lhe dizer que é uma pena perceber tudo tão degradado, esse povo vivendo largado pelas ruas – os governantes precisam cuidar de toda a população porque só assim vão cuidar direito desta nossa cidade!” (Antonio Luiz Milani, vendedor)</p>
<p>(Texto de Marion Frank; fotos de Daniel Ramos)</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O centro paulistano e o discurso do trabalho</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 17:20:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias1]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Mendes da Rocha]]></category>

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		<description><![CDATA[Falar com Paulo Mendes da Rocha é um privilégio. Sobretudo, se o tema for São Paulo. Como se não bastasse a mente privilegiada, de quem sabe aproveitar um dia após o outro construindo e lapidando o conhecimento, aos 83 anos, ele é um colecionador de lembranças sobre a cidade que viu crescer, ela e ele, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/paulo-mendes.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2150" title="paulo mendes" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/03/paulo-mendes-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Falar com Paulo Mendes da Rocha é um privilégio. Sobretudo, se o tema for São Paulo. Como se não bastasse a mente privilegiada, de quem sabe aproveitar um dia após o outro construindo e lapidando o conhecimento, aos 83 anos, ele é um colecionador de lembranças sobre a cidade que viu crescer, ela e ele, simultaneamente. Foi em São Paulo que esse capixaba, de Vitória, frequentou os primeiros bancos escolares (chegou aqui aos quatro anos), andou de bonde por todas as direções e ensaiou os primeiros passos de conquistador, oferecendo chá nos melhores endereços do centro às mocinhas (do Colégio Sion) que lhe roubavam o sono. Também foi em São Paulo, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, que Paulo Mendes da Rocha se formou em arquitetura (54) para depois dar aula na FAU, anos 60, a convite de Vilanova Artigas.</p>
<p>Detentor do prêmio Pritzker, o mais importante de sua atividade em todo o mundo, também se mostra imbatível na apreciação da cidade que tanto lhe diz – da periferia ao centro, da ausência de planejamento ao crescimento desordenado (“um descalabro”) da metrópole, salvo pelo programa municipal de habitação em áreas precárias (“interessante”) que permite inclusive a participação de jovens escritórios de arquitetura. Imperdível, como se demonstra a seguir.</p>
<p><strong>SP 2040: Você, que veio criança de Vitória para São Paulo, tem uma relação especial com São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Se esta cidade me diz muito? Bem, em 1930, ela não era o que é hoje, posso até dizer que o porto de Vitória, para um menino, era algo mais civilizado do que São Paulo, de certa forma um lugar mais apropriado para educar, ao menos, naquela época&#8230; Melhor dizendo: é impossível ser educado em apenas um lugar.</p>
<p><strong>SP 2040: Que impressão você guarda da cidade daquele tempo?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Meu pai veio para cá numa situação econômica apertada, tanto é verdade que a minha família foi parar numa pensão na Avenida Paulista, alguém tinha feito de um daqueles casarões uma pensão, era a “pobreza escondida”&#8230; Onde o aperto era tanto de quem morava como de quem alugava. Minha mãe, muito zelosa, me colocou para estudar na própria Paulista, um colégio que não existe mais, perto da esquina com a Augusta – e onde hoje fica o Banco Safra, veja só as transformações que assisti nesta cidade&#8230; Era o Ginásio Paes Leme. Bem, essa pensão ficava perto da Brigadeiro Luis António, eu tinha de andar quase a Paulista inteira para ir à escola, passando em frente ao grande vazio que, na época, era o lugar onde hoje está o MASP. Na cabeça do menino que eu era, existia a consciência de estar percorrendo uma avenida cheia de palácios e gente muito rica e onde, às vezes, se falavam palavras que nunca tinha ouvido na vida, uma linguagem que não se usava na minha terra&#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>SP 2040: Quer dizer que conheceu, na pele, a São Paulo da garoa?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha:</strong> Você me fez lembrar uma imagem bastante anedótica&#8230; Naquela época, a neblina que baixava em São Paulo, no começo de tarde ou de manhãzinha, era muito forte, você era incapaz de ver o outro lado da Paulista! E, claro, sempre havia um magote de meninos andando por ali, o que era aproveitado para inúmeras brincadeiras&#8230; Pois, foi então que aconteceu, em um final de tarde fechado de neblina, que uma luz forte andando passou do outro lado da avenida&#8230; E os meninos pararam de pronto, eles e eu, todos nós querendo saber que luz era aquela e que ainda por cima andava! Foi quando um dos meninos esclareceu, um tipo muito engraçado, “ah! só pode ser o famoso criado-mudo!”&#8230; Não é uma maravilha? (rs) Imagine se alguém falava, em Vitória, em criado-mudo, devia ser mesinha de cabeceira, sei lá! Inclusive essa figura de criado não existia em casa. Já, na Paulista, os empregados usavam coletinho listrado e os motoristas eram fardados com perneiras e boné, um luxo.</p>
<p><strong>SP 2040: Você tem saudade dessa cidade?</strong></p>
<p><strong> Paulo M. da Rocha</strong>: Não tenho saudade de nada, nem sei bem o que quer dizer saudade. Saudade serve para fazer poesia, samba. Trabalhando, você não pode saber o que é saudade&#8230; Se eu sinto falta de algo em São Paulo? Bem, tenho certeza de que sinto certa nostalgia da ideia de centro da cidade, a de ser o recinto do discurso do trabalho, onde os homens, os cidadãos, trabalhavam&#8230; O desejo de ser homem adulto era muito claro entre nós, ter uma profissão e abrir um escritório no centro da cidade, o centro da inteligência. O que edita o bairro, em consequência&#8230; Uma das melhores virtudes da cidade é possuir, no seu coração, uma universidade, o que sempre aconteceu em São Paulo – foi uma grande tolice tirar a universidade do centro, isso para dar uma ideia do meu conceito de cidade.</p>
<p><strong>SP 2040: Com o tempo, São Paulo atraiu todos a trabalhar por aqui&#8230;</strong></p>
<p><strong> Paulo M. da Rocha</strong>: São Paulo era bastante enérgica em relação a um Brasil que não se mexia e, por meio da consciência da urbanização no âmbito popular, atraiu, digamos, gente de todo o País, tanto que o operário da construção civil é chamado de “baiano” pelo paulista&#8230; O que deve ser motivo de orgulho para os baianos, a propósito. Já dá, portanto, para ver que a favela é a expressão mais inteligente sobre a consciência de urbanismo que o condomínio de luxo fechado&#8230; Enquanto o condomínio pode ser entendido como fruto de uma degenerescência da ideia de cidade, do viver na cidade, a favela é a essência do dizer “seja como for daqui não saio!”.</p>
<p><strong>SP 2040: Acredita ser possível colocar ordem no modo de viver paulistano?</strong></p>
<p><strong> Paulo M. da Rocha</strong>: O que interessa é tentar o planejamento, não sou otimista em relação a nada, só sei que temos de fazer. Prefiro pensar não que o mundo vai acabar, mas sim que vamos lutar até o fim, aliás, o que estamos fazendo aqui é o reflexo de uma tomada de consciência aguda sobre essas questões&#8230;</p>
<p><strong>SP 2040: De que modo você se desloca em São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Ando de metrô, táxi e também a pé por São Paulo. Dirijo muito bem, mas não é confortável, muito menos inteligente, andar de carro por esta cidade. A ideia de morar num condomínio fechado a dezenas de quilômetros longe das áreas de emprego está tendo agora o resultado merecido, não é possível que as pessoas só comecem a pensar nisso neste momento&#8230; É um dos sintomas do consumismo, uma mudança de hábitos talvez fruto da propaganda – outro caso é o terraço-gourmet, onde se faz o churrasco, imagine isso se repetindo em cada terraço de um edifício de 20 andares, o prédio inteiro fedendo a gordura, um absurdo! Porque a ideia de churrasco implica no encontro de amigos, na confraternização – e não colocar bermuda e família em um espaço minúsculo, é ridículo, é um desgosto para qualquer costela de vaca&#8230;</p>
<p><strong>SP 2040: Afinal, dá para morar bem em São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Morar bem é morar na cidade. Acho louvável o que parece estar sendo feito no plano de longo prazo&#8230; O pior, em um plano, é a degenerescência. Porque a natureza não faz concessões. É preciso partir do essencial, depois discutir se vai pintar de rosa ou não&#8230; aliás, se for possível não destruir nada melhor! Agora, quando se abandona o centro da cidade e vai todo o mundo para a Avenida Faria Lima, um movimento que desvaloriza os terrenos do centro para que eles ganhem outro valor bem mais em conta, todo mundo está careca de saber que quem ganha com isso é a especulação imobiliária, daí a questão, até que ponto o poder público vai policiar o descalabro da especulação? Ela não pode ser o tema da urbanização! Quem trabalha com planejamento no governo, deveria ter um discurso claro sobre isso.</p>
<p><strong>SP 2040: Voltando no tempo, onde você já morou em São Paulo?</strong></p>
<p><strong> Paulo M. da Rocha</strong>: Morei na Paulista, como disse, depois minha família mudou para uma casa agradável no Jardim Paulista, nós usávamos o bonde para ir ao colégio, ele descia a Pamplona e ia para o centro, estudei no colégio S. Bento. Era muito agradável atravessar toda a extensão da Rua São Bento, de manhã, bem cedo&#8230; O prédio Martinelli já estava lá, uma instituição, aliás, todo o centro era uma instituição, estávamos nos anos 40 – lembro-me de uma carroça grande, lotada de novelos de lã, puxada por burro que passava na mesma hora&#8230; O condutor assoviava muito bem! O lixo, nessa época, também era recolhido por carroças puxadas por burros, o pão era entregue nas casas da mesma forma&#8230; E havia a oferta de leite de cabra, eram uns portugueses que tinham chácaras lá embaixo, no Itaim, e vendiam o leite nas portas de casas como a nossa, no Jardim Paulista, eles puxavam umas cabras de sininho&#8230;</p>
<p><strong>SP 2040: Você tinha o hábito de ir namorar no centro?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Namorar? Ah!, sim, marcava-se encontro com as mocinhas do Sion para ir às casas de chá do Mappin, onde se podia levar meninas dessa estirpe&#8230; (rs) Adolescente, eu andava de bonde pela cidade inteira, descia a Angélica até o ponto final, na Praça do Correio, para se divertir no centro, ir aos cabarés e bares, era tudo na Avenida S. João&#8230; Jogava-se sinuca na Praça da Sé, um sobrado muito bonito com dez mesas das melhores!</p>
<p><strong>SP 2040: É possível tornar o centro paulistano outra vez sedutor?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Para mim, o centro nunca deixou de ser sedutor. Continuo a trabalhar no centro, muitas vezes vou a pé até o meu escritório, hoje moro em Higienópolis&#8230; É possível, sim, torná-lo de novo sedutor, afinal, o centro nunca deixou de ser o que ele sempre foi, tem gente que ainda mora por aqui, na Avenida São Luís, no Copan – o edifício Eiffel, na Praça da República, é um dos exemplos mais interessantes de habitação que existe em São Paulo, trabalho do Niemayer&#8230; Porque ninguém, em tese, deve estar querendo mais morar em condomínio fechado, é difícil educar um jovem num condomínio fechado. O grupo chamado pais, aqueles que se responsabilizam pela educação da prole, sabem muito bem como é difícil educar uma criança e depois um jovem numa habitação desse tipo, se você está cercado de guardas armados, jogando tênis só com os vizinhos e saindo de automóvel para ir ao cinema, se você não consegue ir a pé nem mesmo para a escola, se você está nesse confinamento que é um condomínio chamado fechado, bem, você não está vivendo em um lugar de convivência e, portanto, nem experimenta sua cidadania – não tem liberdade alguma para fazer o que se bem entende, isso só é possível na cidade.</p>
<p><strong>SP 2040: E a periferia, como vai a periferia da maior metrópole da América Latina?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: A periferia é a cidade, inclusive a ponta do metrô é a periferia. Não é essa que está aí, onde foram viver os chamados baianos que vieram com a trouxa na mão e em pau de arara para ajudar a construir esta cidade por absoluta falta de planejamento, um desastre, uma falta de previsão completa sobre tudo, São Paulo não podia ter se desenvolvido a ponto de ser uma cidade de cerca de 20 milhões de habitantes, enquanto a capital tem quase 2,5 milhões, um descalabro, o Brasil sem planejamento não cresceu de modo coerente com a sua dimensão e os seus recursos naturais, não estou falando de mandioca nem de cacau, mas sim de rios, navegação fluvial, transporte pelo interior, novas solicitações para inúmeras cidades que poderiam ter costurado a América Latina de outra forma que a prevista pela política colonial do Tratado de Tordesilhas&#8230; O que você quer que eu diga? Não sou eu que vou resolver as cidades, mas sim as instituições, os governantes! Agora, o trabalho que a Secretaria Municipal de Habitação anda fazendo na periferia, dando oportunidade inclusive a jovens escritórios de arquitetura em áreas de habitação precária da cidade, é muito interessante. Está sendo feita uma recomposição do casario dessas favelas, suprindo esses lugares com atrações de caráter de convivência, editando a experiência da cidade de modo efetivo junto desses conjuntos de habitantes&#8230;</p>
<p><strong>SP 2040: Como seria a São Paulo que você mais deseja?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Isso não pode ser idealizado, não é visível assim&#8230; Mas eu quero viver numa cidade que não tenha de conviver com uma crise mundial, eu não acredito que se possa viver bem quando um está mal, temos de cuidar do mundo, o estado do planeta é também responsabilidade da Universidade de São Paulo, nós queremos ser bons entre os bons e não melhores que os outros&#8230; Agora, o que realmente me dá prazer, olhando a janela, é que o povo, o que se chama povão, ocupou o centro – e eu espero que ele não saia nunca mais! Ninguém gosta de dormir na rua, isso é um problema que terá de se resolver, mas o que o povão está dizendo é que quer ficar ali e não ser empurrado de novo para a periferia. O centro da cidade é o melhor lugar para a habitação popular.</p>
<p><strong>SP 2040: Você acredita que um plano de longa duração pode ser a solução para São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Paulo M. da Rocha</strong>: Acreditar, eu não acredito, isso é coisa de Igreja&#8230; Mas temos de trabalhar para que esse plano dê certo, é preciso trabalhar com esse objetivo. Aliás, é de se esperar que ele dê frutos, planejar sem a visão imediatista, de simples correção de uma coisa aqui para errar mais ali&#8230; A ciência é feita para amparar com largos horizontes sobre o que se chama projeto, plano. Espero que ele seja feito com ciência e saber – e não só com opiniões.</p>
<p>(Texto de Marion Frank; foto de Arquivo)</p>
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		<title>Cidade global é cidade móvel</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 17:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias1]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias2]]></category>
		<category><![CDATA[Emiliano Stanislau Affonso Neto]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>

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		<description><![CDATA[Emiliano Stanislau Affonso Neto trabalha há 29 anos na Companhia do Metropolitano de São Paulo. Atualmente, está envolvido com o planejamento de linhas e a integração – ou seja, o futuro do metrô. Tem, portanto, vasto conhecimento sobre um dos problemas que mais afligem os moradores da metrópole: a falta de mobilidade nos deslocamentos, repercutindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/04/Foto-1-emiliano_stanislau2.gif"><img class="alignleft size-full wp-image-2189" title="Foto 1 - emiliano_stanislau2" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/04/Foto-1-emiliano_stanislau2.gif" alt="" width="126" height="160" /></a>Emiliano Stanislau Affonso Neto trabalha há 29 anos na Companhia do Metropolitano de São Paulo. Atualmente, está envolvido com o planejamento de linhas e a integração – ou seja, o futuro do metrô. Tem, portanto, vasto conhecimento sobre um dos problemas que mais afligem os moradores da metrópole: a falta de mobilidade nos deslocamentos, repercutindo sobre tudo o que se queira fazer, caso do tempo perdido no vaivém entre casa e trabalho. “Costumo dizer que moro no mesmo lugar há décadas, mas percebo que ele está cada dia mais longe de onde trabalho”, diz esse morador do Morumbi que se desloca diariamente para o endereço profissional no coração da cidade (Líbero Badaró). Formado em Engenharia Mecânica na Universidade Presbiteriana Mackenzie, paulistano, Emiliano tem outra característica marcante: é do tipo que se envolve em inúmeras atividades, atuando na diretoria do Sindicado dos Engenheiros no Estado de São Paulo ou na associação do seu bairro, quando necessário. “Não consigo ficar quieto”, reconhece.</p>
<p>Quando ele se mudou para a casa do Morumbi 25 anos atrás, levava 19 minutos para se sentar à mesa do escritório, na época, em prédio da esquina da Luiz Coelho com a Augusta. “Hoje, quando tudo está controlado, levo 45 minutos só de ida! E olhe que faço o trajeto de carro e metrô, a partir do Butantã&#8230;” Como foi possível chegar a essa situação? Que futuro está reservado à metrópole dinâmica mas nada fluída?</p>
<p>Esse e outros assuntos são abordados na entrevista a seguir.</p>
<p><strong>SP 2040: O que realmente se perde ao ficar parado no trânsito de São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Você perde um pouco da sua cidadania&#8230; Porque, na medida em que se faz necessário aumentar o tempo nos deslocamentos pela cidade, você perde tempo para se dedicar à família, encontrar os amigos e inclusive se posicionar como cidadão nas situações que realmente lhe dizem respeito. Também gasta mais com combustível e desgaste do veículo, além de ganhar estresse e por aí afora.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>SP 2040: Como foi possível chegar a esse congestionamento diário e, às vezes, colossal?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Moramos numa cidade que cresceu apoiada no transporte público, o bonde funcionava direito, eram quase 400 km de trilhos pela cidade&#8230; Havia também uma rede ferroviária que atendia bem ao subúrbio. Mas, infelizmente, uma política de incentivo ao transporte individual começou a ganhar força no País, fazendo estagnar os outros modos de transporte&#8230; Chegaram à conclusão que o acesso à cidade seria mais fácil, rápido, a bordo de um carro. Veja, no estado de São Paulo, entre 1950 e 1960, havia uma rede ferroviária muito parecida com a rodoviária, eram mais ou menos cinco mil km de trilhos. Hoje a proporção mudou, temos bem menos desse total de ferrovias e muito mais quilômetros de rodovias, algo em torno de 40 mil&#8230; O que aconteceu? O Brasil já foi o segundo país a ter ferrovia no mundo, logo depois da Inglaterra. E nós perdemos a eficiência de transporte ao ser substituído o modo mais barato pelo mais caro.</p>
<p><strong>SP 2040: Quando os bondes foram abandonados em São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Isso aconteceu em 1968 e hoje se percebe que ele poderia ter sido modernizado a ponto de coabitar com outros modos de transporte, a Europa fez isso, são os chamados VLT (Veículos Leves sobre Trilhos) que coabitam com automóveis e ônibus – nós, porém, seguimos o modelo americano que deixou de lado o bonde&#8230; No Brasil, ele saiu da fita na mesma hora em que surgiu o metrô, cuja empresa foi criada também em 1968. O metrô, subterrâneo, convive bem com o automóvel, um não rouba espaço do outro.</p>
<p><strong>SP 2040: É fato que o nosso metrô tem excelência mundial?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Ele tem apenas 74,3 km de extensão, o que é muito pouco para uma cidade do tamanho de São Paulo&#8230; Mas está entre os cinco melhores do mundo, o metrô de São Paulo realmente se destaca em relação a vários itens de qualidade – temos, por exemplo, um dos menores intervalos do mundo, algo em torno de 90/100 segundos que a companhia pretende passar para 75/80 segundos com o novo sistema em implantação&#8230; Você sabia que as nossas linhas de metrô estão entre as mais carregadas do mundo? Sim, elas são bem pequenas, sobretudo, quando comparadas com as de outras metrópoles&#8230; Em média, são transportados anualmente cerca de 10 milhões de passageiros por km de rede – em Hong Kong e em Moscou, por exemplo, esse total é de 8 milhões. Porém, temos a média de 7 km de metrô em operação por milhão de habitantes, uma das menores proporções entre as capitais mundiais&#8230;</p>
<p><strong>SP 2040: Como vai a linha de trens da periferia de São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Temos uma rede de trens metropolitanos com cerca de 230 km de extensão. Ela vem conquistando outro patamar, ou seja, ganhando ares de metrô. Os trens estão sendo trocados, assim como o sistema de sinalização que deverá diminuir o intervalo entre eles (a CPTM quer passar esse intervalo para 3 minutos, intervalo que poucos metrôs no mundo são capazes de manter!), além de atingir nível de atendimento melhor. Quantos passageiros são hoje transportados pela CPTM? Cerca de 2,4 milhões de viagens por dia, enquanto o metrô já ultrapassou o total de quatro milhões de viagens por dia – as duas estão se aproximando do total de sete milhões!</p>
<p><strong>SP 2040: Transporte, em São Paulo, é sempre razão de números impressionantes&#8230;</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Hoje, na cidade, devemos ter mais de 40 milhões de viagens por dia, total que inclui deslocamentos de carro, ônibus etc. e mesmo aqueles feitos a pé. É bom frisar que esse ir e vir a pé sempre vai acontecer, independentemente da qualidade do transporte público de uma cidade. Mas, em Sampa, ele ganha importância, por isso, é que se defende, em termos de mobilidade das pessoas, a qualidade das calçadas – hoje elas não servem a quem pretende se deslocar caminhando, mas sim a quem anda de automóvel, as calçadas apresentam desníveis, são rampa de garagem e por aí vai&#8230; E olhe que a nossa população está envelhecendo e o risco de acidentes nas calçadas aumenta – cerca de 20% dos acidentes no item mobilidade já vem acontecendo nas calçadas.</p>
<p><strong>SP 2040: Você apoia o uso da bicicleta nos deslocamentos pela cidade?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Em nenhuma cidade do mundo o deslocamento é feito só por metrô, é preciso outros modos de transportar as pessoas&#8230; Acredito na bicicleta como meio auxiliar de transporte. Há cidades, ao redor do mundo, onde ocorrem mais viagens de bicicleta do que de carro – Copenhagen, por exemplo. E a ciclovia, o que é? Uma faixa que entra na calçada e obriga o carro a parar e estacionar depois dela&#8230; Só que a bicicleta faz pensar imediatamente em segurança e ainda é muito arriscado andar desse modo por São Paulo. Para a bicicleta se tornar um modo de transporte efetivo não basta ter local para estacionar e pista para andar, mas sim formar os motoristas.</p>
<p><strong>SP 2040: Saberia apontar a metrópole mais bem servida em transporte?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Não, mas a pergunta me faz lembrar um trabalho bem interessante, o da UITP (União Internacional de Transportes Públicos), que data da virada do milênio e foi realizado em 100 metrópoles, ele apontava como elas estavam construindo sua modernidade&#8230; Houve quem investisse pesadamente no transporte individual, outras, no coletivo. Em Los Angeles, por exemplo, mais de 50% do seu espaço é dedicado a avenidas e estacionamentos, apresentando congestionamentos homéricos – de um tempo para cá, porém, começou a investir em transporte público para mudar essa situação caótica&#8230; O estudo mostrou que as cidades que investiram forte em transporte individual só conseguiram o efeito contrário, o trânsito congestionado. Agora, as cidades (sobretudo europeias) que deram prioridade ao transporte público, nelas o carro simplesmente sumiu porque o deslocamento se mostrou melhor&#8230; Em algumas, ocorreu inclusive a política do estacionamento, ou seja, a racionalização do uso do carro: se faço um estacionamento mais próximo das periferias, onde chegam as rodovias, isso servirá de estímulo para deixar o carro ali e se locomover na cidade, utilizando o transporte público.</p>
<p><strong>SP 2040: Você é, portanto, a favor de alguma forma de penalização do uso do automóvel em São Paulo?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Ao longo do tempo, a solução do transporte em São Paulo vai passar por uma medida de racionalização como essa, pode ser inclusive a cobrança do pedágio urbano, mas não só&#8230; Para melhorar a mobilidade na cidade, é preciso uma política de estacionamento, uma ampliação das redes estruturadoras de transporte – o que isso significa? Um sistema de alta capacidade (metrô e ferrovia) sendo alimentado por um de média capacidade (corredores de ônibus, por exemplo). É preciso um casamento entre várias soluções de transporte para dar fluidez aos deslocamentos.</p>
<p><strong>SP 2040: Acredita que o plano possa contribuir no curto prazo para a solução do transporte na cidade?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: 2040 é um exercício de reflexão sobre o tempo e a cidade&#8230; Ele aborda o deslocamento de no máximo 30 minutos entre a moradia e o transporte, essa é uma questão fundamental para São Paulo ao discutir o que é possível fazer para tornar a cidade um lugar bom para viver&#8230; E há medidas que poderiam surtir efeito de modo progressivo! Por que não imaginar a integração desde já entre os módulos de transporte, inclusive o individual? Por que não criar os estacionamentos para quem chega à metrópole de carro e disponibilizar o acesso à rede de transporte coletivo?</p>
<p><strong>SP 2040: Falta o quê para colocar em prática propostas tão sensatas?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Há um ponto fundamental, a composição entre esferas de governo. Mobilidade urbana é construída sobre redes estruturadoras de transporte, onde há uma participação forte do chamado governo federal. Ele entra com recursos de fundo perdido para que as tais redes sejam implantadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, quase 60% do custo de uma rede de metrô fica por conta do governo federal; a operação da rede, essa é de responsabilidade do governo local. Veja, quando a cidade tem melhor mobilidade, seus custos também diminuem. Em um estudo feito anos atrás pelo metrô com ajuda da FIA-USP, ficou claro que a implantação de um sistema de transporte eficiente, caso de uma linha de metrô onde ela se faz necessária, dá retorno suficiente para cobrir a sua implantação&#8230; Agora, é preciso sinergia. No início, o metrô já foi da Prefeitura, depois passou para o Estado, hoje ele continua essencialmente estadual (há uma pequena ajuda da Prefeitura). E estamos brigando para aumentar a presença do governo federal&#8230;</p>
<p><strong>SP 2040: São Paulo pode, contrariando seu bordão mais conhecido, parar?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Uma cidade com a pujança de São Paulo, ela acaba influindo na economia do Estado e do próprio País. Na hora em que ela perde eficiência, o País como um todo perde também. Mobilidade tem um componente social muito forte, você perde cidadania, perde desempenho no emprego, mas há também um efeito econômico: se a cidade não tiver mobilidade, ela deixa de ser global, deixa de ter condições de atrair o suficiente, perde competitividade e a capacidade de desenvolver sua população.</p>
<p><strong>SP 2040: Haverá de fato forte investimento na ampliação do metrô paulistano?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: Sim, o governo estadual está empenhado na ampliação da rede do metrô, inclusive em sua aceleração. Mas o que é preciso fazer para obter a melhoria do transporte público a médio e curto prazo? Liberar uma série de barreiras que hoje travam o processo. O transporte público, a nível mundial, tem no meio ambiente um dos seus maiores apoiadores: os ônibus poluem menos que os carros e as motos, por exemplo. Aqui, no entanto, o meio ambiente tem se mostrado um empecilho. Na hora de construir uma linha de metrô, apenas para citar um exemplo, há uma série de exigências de leis específicas que atrasam em demasia ou simplesmente impedem a sua construção. Há falta de flexibilidade na legislação ambiental e isso precisa ser mudado, é preciso analisar os prós e contras de um sistema de transporte a ser implantado na cidade e saber fazê-lo com bom senso.</p>
<p><strong>SP 2040: Dá para adiantar as próximas metas de expansão do metrô?</strong></p>
<p><strong>Emiliano</strong>: O plano é bem ambicioso, o objetivo é fazer a rede chegar a 160 km de extensão em 2016, e a 260 km, em 2021, incluindo o metrô de alta e média capacidade (ou seja, o monotrilho). Mas, para que isso tudo se torne realidade, será preciso manter a vontade governamental intacta; tornar cada vez mais presente a sinergia entre as esferas governamentais; e encarar as vantagens e desvantagens da expansão do metrô para o meio ambiente, promovendo mudanças na legislação ambiental para não colocar em perigo a construção das linhas.</p>
<p>(Texto de Marion Frank; foto de Arquivo)</p>
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		<title>Destaque mundial de investimentos estrangeiros</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 16:40:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias2]]></category>
		<category><![CDATA[destaque mundial]]></category>
		<category><![CDATA[investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[São Paulo é a quarta cidade, ao redor do mundo, que mais atraiu investimentos estrangeiros em 2011. Uma das conclusões do estudo elaborado pela consultoria suíça KPMG e pela agência de investimentos francesa Paris-Île de France Capital Économique que acaba de ser divulgado, analisando o desempenho econômico de 22 grandes cidades internacionais.  Em relação à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São Paulo é a quarta cidade, ao redor do mundo, que mais atraiu investimentos estrangeiros em 2011. Uma das conclusões do estudo elaborado pela consultoria suíça KPMG e pela agência de investimentos francesa Paris-Île de France Capital Économique que acaba de ser divulgado, analisando o desempenho econômico de 22 grandes cidades internacionais.  Em relação à pesquisa do ano passado, São Paulo progrediu três posições e só fica hoje atrás de Londres, Xangai e Hong Kong – por sinal, as três primeiras colocadas também em 2011.</p>
<p>“É a consolidação do Brasil como um dos principais atores da ordem mundial – e, no universo brasileiro, São Paulo representa a locomotiva”, salienta André Sacconato, diretor de pesquisas da Brain, empresa que integra o Conselho Consultivo do SP 2040 e trabalha com foco em atrair investidores para aplicar aqui seu dinheiro. “Quando comparado aos outros BRICS”, acrescenta André, “nosso País tem um dinamismo institucional inquestionável”. Em miúdos: um poder judiciário independente que transmite “segurança jurídica” – imagem poderosa que corre ao lado do crescimento econômico e da distribuição de renda em curso no País, atraindo a preferência estrangeira na hora de escolher onde investir.</p>
<p>A imagem de metrópole mundial de São Paulo sai, naturalmente, fortalecida ante a ótima colocação obtida no ranking de prestígio. Mas o que dizer do 62º lugar entre as cidades competitivas, atrás mesmo de Buenos Aires, o 60º lugar segundo a pesquisa do banco americano Citygroup e da revista inglesa The Economist, divulgada em março passado? Na opinião de André Sacconato, são classificações que resultam da aplicação de diferentes metodologias – se for levado em conta, por exemplo, a proporção de quilômetro construído de metrô por habitante, a avaliação de São Paulo será baixa, ao passo que ela vai melhorar muito se o fator econômico predominar. “O melhor indicador é, no entanto, aquele que indica a chegada dos investimentos&#8230;”, reforça André. E aí estão os números do Banco Central que falam por si: em 2011, os investimentos estrangeiros diretos (ou seja, em produção, dinheiro a ser aplicado na construção de fábricas, por exemplo) foram de US$ 66,7 bilhões – e a previsão, para 2012, alcança o total aproximado de US$ 80 bilhões.</p>
<p>(Texto de Marion Frank)</p>
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		<title>Diferença salarial entre homens e mulheres continua inalterada em São Paulo</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 17:39:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informes Urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[Você Sabia?]]></category>
		<category><![CDATA[informes urbanos]]></category>

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		<description><![CDATA[De acordo com dados da Rais, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os postos de trabalho no setor privado, no município de São Paulo, cresceram de 2.389.045, em 2000, para 3.990.013, em 2010 (ou seja, um crescimento de 67,1%); e as mulheres, que representavam 40,8% do total estimado no ano 2000, aumentaram sua participação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De acordo com dados da Rais, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os postos de trabalho no setor privado, no município de São Paulo, cresceram de 2.389.045, em 2000, para 3.990.013, em 2010 (ou seja, um crescimento de 67,1%); e as mulheres, que representavam 40,8% do total estimado no ano 2000, aumentaram sua participação para 43% dez anos depois.<br />
Entretanto, essa presença mais significativa de mulheres no mercado de trabalho se mostrou insuficiente para reverter a diferença salarial em relação à mão de obra masculina. Ainda segundo a Rais/MTE, o rendimento médio dos homens empregados, em 2010, correspondeu a R$ 1.877,00, ao passo que o das mulheres foi de R$ 1.553,00, no mesmo período.</p>
<p>Mais informações sobre essa disparidade salarial entre gêneros, leia o <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2012/04/n_7_abril_2012.pdf">Informe Urbano nº 7.</a></span></p>
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		<title>Videos do SP 2040 &#8211; Instituto de Engenharia &#8211; SP</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 15:15:12 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação]]></category>
		<category><![CDATA[IE]]></category>
		<category><![CDATA[SP 2040]]></category>
		<category><![CDATA[Video]]></category>

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		<description><![CDATA[Clique aqui e acompanhe a palestra do secretário da SMDU e os comentários dos representantes do Conselho Consultivo do plano no encontro realizado na sede do IE-SP, em 28/10/2011. &#160; &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Clique aqui e acompanhe a palestra do secretário da SMDU e os comentários dos representantes do Conselho Consultivo do plano no encontro realizado na sede do IE-SP, em 28/10/2011.<span id="more-2167"></span></p>
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<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/39776706" width="320" height="240" frameborder="0" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen></iframe></p>
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<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/39652038" width="320" height="240" frameborder="0" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen></iframe></p>
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		<title>Mílton Jung</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 16:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>SP2040</dc:creator>
				<category><![CDATA[Depoimentos]]></category>
		<category><![CDATA[depoimento]]></category>

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		<description><![CDATA[“Ter a cidade na qual pretendo viver um dia exigirá ideias criativas. Nenhuma criatividade, porém, se realizará sem que leve em consideração três pilares: custo, acesso e qualidade. Nenhuma se sobrepõe a outra, todas precisam ser medidas com a mesma régua. No Brasil, costuma-se colocar as questões de custo em primeiro lugar e o resultado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1523" title="Imagem3" src="http://sp2040.net.br/wp-content/uploads/2011/12/Imagem31-201x300.png" alt="" width="201" height="300" />“Ter a cidade na qual pretendo viver um dia exigirá ideias criativas. Nenhuma criatividade, porém, se realizará sem que leve em consideração três pilares: custo, acesso e qualidade. Nenhuma se sobrepõe a outra, todas precisam ser medidas com a mesma régua. No Brasil, costuma-se colocar as questões de custo em primeiro lugar e o resultado tende a ser o aumento do gasto no setor público e a redução no privado, sem que haja efeito no acesso aos serviços e na qualidade oferecida. É necessário determinar, claramente, quanto se pretende investir na cidade – e aqui se somam dinheiro público e privado –, tendo em vista as demandas do cidadão e a capacidade de financiamento para a próxima década. Todo projeto anunciado tem de se tornar acessível à população, não se pode contentar em atender apenas um pequeno grupo, como se nascesse para não avançar além do Plano Piloto (você não tem ideia de quantos planos pilotos já vi serem lançados em São Paulo&#8230;). Precisa ainda gerar impacto na qualidade de vida das pessoas, sendo arrojado em seus resultados. Para pensar a cidade dentro de 29 anos, temos de considerar que até lá serão 15 eleições, sete governadores, oito prefeitos, oito câmaras de vereadores e sete assembleias legislativas. Não se iluda com a ideia de que a manutenção de um mesmo grupo político no poder nesse tempo todo facilitará a construção das soluções propostas. Apenas a participação popular na definição dessas políticas e no orçamento do município podem impor compromissos aos administradores de passagem pelo poder, processo parecido com o que mudou a vida dos moradores de Bogotá, na Colômbia. É assim que acredito que será a construção da cidade que sonho viver. Que respeite as diferenças e ofereça aos cidadãos oportunidades semelhantes. Na qual tenho o direito de escolher entre uma escola pública e uma privada pela sua linha pedagógica e não de pobreza. Pretendo andar de ônibus de maneira confortável e rápida no horário que precisar e não quando houver espaço nele. Gostaria de ter médico, hospital e equipamento públicos disponíveis de acordo com a minha urgência e não quando arrumarem uma vaga daqui a alguns meses. E, na qual, todos os projetos atendam, igualmente, às três dimensões: custo, acesso e qualidade.”</p>
<p><em>Mílton Jung</em><br />
<em> (Jornalista e âncora do Jornal da CBN)</em></p>
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