Até o século 18 era uma vila de pescadores na costa sul da China. Nos anos 1800, ganhou a triste fama de entreposto comercial de ópio; e foram esses negócios altamente rentáveis que estiveram na origem de duas guerras entre China e Inglaterra – guerras que, entre outras consequências, iriam tornar Hong Kong colônia britânica. A ilha ganharia o status atual apenas em 1997, quando se tornou região administrativa especial da República Popular da China.
Com área de 1,1 mil km², população de sete milhões de habitantes e porto entre os mais movimentados do planeta, Hong Kong é hoje também conhecida por abrigar o centro financeiro de primeira grandeza no mundo dos negócios, daí o padrão de vida elevado (seu PIB é estimado em US$ 43,8 mil dólares per capita, mais ou menos o dobro do PIB do município de São Paulo). Realmente, uma transformação notável em pouco mais de um século. O que não impede, no entanto, de se colocar o seu futuro em cheque – afinal, como bem ressalta o plano estratégico de longa duração de Hong Kong (The HK2030 Study, esse é o seu nome), “… longe ficaram os tempos em que se media o sucesso de uma cidade por meio do desempenho econômico… Afinal, como será possível seguir o caminho do desenvolvimento sustentável? Existem de fato capacidade e vontade de avançar nessa direção?”
Questões dessa magnitude estão, portanto, na origem da elaboração do plano estratégico de Hong Kong (os primeiros estudos datam dos anos 80 e 90), cujo prazo de execução é 2030. “O maior desafio de um plano de longa duração é projetar um futuro sempre tão cercado de incertezas…”, lê-se no documento. “Trinta anos atrás, quando Hong Kong dizia respeito a um dos ‘quatro dragões asiáticos’, com índices de crescimento de dois dígitos em razão da produção de manufaturados, poucos podiam imaginar que o lugar viria a ser ´desindustrializado´ para abrir espaço a uma economia de serviços”. Outras mudanças estão a caminho – e o plano precisa antever uma estratégia de ação, de preferência, baseada na flexibilidade.
Para dar suporte à posição de Hong Kong como “cidade mundial da Ásia”,The HK2030 Study estabelece prioridades – e o capítulo chamado “Definindo as nossas necessidades”, por exemplo, é bem ilustrativo do que se pretende ser alcançado até 2030. Caso de:
- A taxa de emprego precisa aumentar em até 1,2% por ano de modo a acompanhar o crescimento econômico (estimado a uma taxa anual de 3 a 4%)
- Até 2030 um total de 924 mil moradias deverá ser construído de modo a vencer a demanda por habitação em razão da população cada vez mais numerosa (previsão de aumento de 0,7% ao ano, a maioria das pessoas originárias da China) e da maior expectativa de vida
- Priorizar a construção de pontes, estradas e corredores, ou seja, a rede estratégica de infraestrutura a serviço do transporte rápido e eficiente
Outra característica do plano de Hong Kong: ele é muito bem escrito – e apresentado. De fácil entendimento, anima até o menos habituado leitor à temática do planejamento urbano ir adiante com o texto, curioso. Até porque se trata de uma experiência rica de ideias para o futuro de São Paulo.
The HK2030 Study está disponível no link – e o acesso à versão em português, é necessário clicar aqui.
(Texto de Marion Frank)





